
Versáteis, coloridos, de diversos tipos e modelos, os botões são uma verdadeira mania entre os artesãos e crafters. Nossa colunista Marcela Catunda mostra sua coleção e fala sobre essa verdadeira obsessão!
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Antes de entrar no maravilhoso mundo das costuras eu conhecia os botões da vida normal: os de liga e desliga, os que usamos para chamar o elevador, o botão da rosa, o das roupas e o Butão, país da felicidade.
Opa! Eu disse botão das roupas? Não só disse, como escrevi. Mas como você pode perceber ele está lá jogado na frase, entre a rosa e o Himalaia sem destaque, sem glamour, sem sua merecida e conquistada proeminência, a margem de sua existência real e suma importância.
Quando eu descobri que os tecidos poderiam virar coisas, que coisas de tecido poderiam virar coisas lindas e que as coisas lindas de tecido poderiam virar a minha cabeça, resolvi olhar ao redor e mergulhar no assunto. Foi praticamente afogada nele que descobri as rendas e os botões. Ahhhh! Os botões! Essas coisinhas fofas de todas as cores, formatos, tamanhos, materiais e utilidades.

Aprendi vendo trabalhos lindos, que os botões não servem só para roupas, eles servem para deixar tudo que está lindo ainda mais lindo. E também servem para nada e mesmo assim, sem serviço, servem tanto. Mesmo fora de ação eles são ótimos parceiros na transformação de ideias em verdadeiras obras de arte.
Depois que descobri que os botões iam além do papel de simples coadjuvantes, comecei minha caçada e só parei porque não existe mais espaço físico para tantos vícios em minha vida de costurices. Sim, botões em excesso ocupam espaço. Depois não digam que eu não avisei.
Potes e mais potes, caixinhas e mais caixinhas. Tenho deles em formato de bichos, de rostinhos, bonequinhas, carrinhos, balões, flores, insetos, doces, bolos, máquinas de costura, tesouras, eu tenho até botão em formato de botão e de todas as cores, texturas e tamanhos. É botão até não poder mais. E não posso mesmo. E deveria, porque se eu os usasse teria espaço para ter outros… O problema é o apego. Sim, sim, eu sou apegada com os meus botões. Se o projeto exige meia dúzia deles, eu já me pego desistindo dele. Como posso colocar seis botões desses lindos em uma única peça? Não. Não. E não.

Sei que não é muito legal confessar esse estúpido apego, mas é real. É triste eu sei, nada nessa tal de vida fica com a gente. Mas uma boa desculpa, e essa verdadeira, ajuda bem no exercício do não se desfazer: eles não são lá muito baratos. E isso ajuda a não desperdiça-los, embora atrapalhe no adquiri-los. Aquela máxima dos dois lados.
Meus caracteres estão acabando. Se deixar fico aqui dias falando com os meus botões, mas eu preciso ir, a vida lá fora me chama, e essa vida infelizmente, não tem botão de liga e desliga.