Marcela Catunda: Ou Isto ou Aquilo

E toda vez que eu abro meu armário de tecidos eu penso: o que vou costurar hoje? Daí vejo aquelas linhas de bordado em meadas abandonadas em tantos tons e cores que resolvo bordar, mas só até encontrar um novelo de lã. É. Porque daí me dá vontade de fazer crochê e essa vontade só passa quando encontro meu estojo de agulhas de tricô e decido fazer uma trança ou um jacquard.

É tanta vontade de fazer tanta coisa que me perco em meio a tantos quereres. O tempo que falta pra minhas costurices me afoga em dúvidas na hora de escolher o que fazer. Quando eu tinha a PivCat era mais simples, eu meio que decidia por um produto e estipulava um processo. Por exemplo, no dia de fazer saquinhos eu começava escolhendo os tecidos, forros e passava um bom tempo pensando no que bordar. Na sequencia eu escolhia as rendas, os botões, as fitas e outras frescuras e depois, só depois eu partia alucinadamente pro cortador. Até hoje não sei como não perdi um dedo, dois ou todos eles. Você por acaso já viu uma canhota com um cortador na mão? Nem queira.

marcela catunda elo7E eu resolvi falar disso porque outro dia fui na Mega. Me acabei de bater pé por lá com as queridas Fá, Pat e Rê. De tudo que eu queria comprar eu só comprei o que podia, e era pouco. Muito pouco perto de tudo que eu queria, precisava e necessitava urgentemente. As “mina pira” nos tecidos. As “mina pira” nos botões. As “mina pira” nos feltros. As “mina pira” na fila da esfiha. As “mina pira” geral. Essa é a real.

Daí, no day after de toda uma Mega Artesanal lá fui eu organizar minhas novas aquisições. Oba! Hoje vou costurar. Ok. E o que eu vou costurar? Não me passa pela cabeça “jamais” costurar algo que leve mais de 40 centímetros dos meus amados tecidos. Brincadeira! Quer dizer, mais ou menos brincadeira.

A verdade é que além de apegada aos meus amados tecidinhos… eu me amarro mesmo é em fazer coisinhas pequenas. Quanto menor for o projeto mais eu gosto. E por maior que seja meu infinito amor por minha nova Janome, eu curto mesmo é uma costurinha feita a mão, na munheca com a cara e a coragem, jujubas, chocolates, tv a cabo e muito dedo furado. Minhas agulhas prediletas são aquelas que só de olhar já furam. Aquelas que entram como manteiga e fazem tudo que a gente manda! E sem reclamar.
E eis que lá estava eu mais uma vez diante da indecisão do que fazer. Preciso resolver esse repetitivo dilema e não faço ideia de como.

E naquele domingo pós Mega eu tricotei e pensei que preciso urgentemente voltar a fazer minhas “Pivcatices”. Quando temos um objetivo é tudo tão mais divertido e produtivo! É isso! Vou voltar a fazer minhas almofadas, meus bordados, meus saquinhos e deixar tudo guardadinho para um bazar bem fofo e especial de final de ano. Quem sabe assim eu possa me livrar da atordoante dúvida entre o isso e o aquilo. Será?

Marcela Catunda

É canhota e tem um gato chamado Laranjo. De quebra também é uma autora/roteirista/escritora que adora bordar, tricotar, crochetar e costurar. Fala das dores e delícia da vida de artesã com muitos recortes de humor e algumas pespontadas de ironia. Acompanhe Marcela Catunda e suas histórias incríveis mensalmente por aqui e também no blog Pirei de Novo. Na PivCat vende criações muito fofas!