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Sobre pós parto, trabalho e isolamento

Vou contar um pouco para vocês como estamos vivenciando, ou melhor, como estamos sambando na rotina e escolhendo nossas batalhas.

Hoje entendo na prática como o Levi foi o meu projeto que mais me deu trabalho de gerenciar, qualquer trabalho pode esperar, tudo na realidade pode esperar, pois na rotina de um bebê não tem deixar para depois, é tudo urgente.

Para facilitar nosso dia a dia tentamos nos alinhar e nos organizar conforme as demandas mentais que os nossos trabalhos precisam, principalmente nos processos de criação onde precisamos estar com a cabeça mais limpa para conseguir desenvolver. Quando os dois precisam entregar criações no mesmo dia a gente só respira para não pirar. 

Aqui em casa está tudo mais de pernas pro ar, a pira de deixar tudo impecável, a louça sempre limpa, o chão sempre sem pelos e etc precisou ser acalmada, porque nossa prioridade é o Levi.

Não dá para ter tudo. O tudo é o Levi.

E a nossa cabeça que lute, porque é difícil ter cabeça para trabalhar. A gente está muito mergulhado na rotina do bebê, então nossa cabeça fica bastante cheia e não sobra espaço para muitas outras coisas. 

Porém, precisamos sempre nos relembrar que existe vida fora de tudo isso, ainda mais que estamos em isolamento e apenas nós dois em todas as funções da casa. Nós precisamos viver o que está além dessa rotina para voltar mais revigorados para as funções do dia a dia.

Uma das palavras mais faladas quando falamos sobre maternidade é a culpa. Eu já me culpava muito naturalmente, e é algo que já trato em terapia há anos. Eu estou tranquila quanto aos cuidados do Levi e nunca passou pela minha cabeça não voltar a trabalhar. Porém, eu recebi muitas mensagens na internet dizendo que eu estava abandonando o meu filho por estar trabalhando.

Em uma madrugada muito difícil, onde o Levi estava chorando muito, eu estava amamentando ele e pensando no e-mail que eu precisava escrever, extremamente cansada e eu lembrei da mensagem dizendo que eu estava abandonando o meu filho, o que piorou muito minha situação no momento. É cruel a forma como comparam a paternidade e a maternidade e por mais seguras que possamos estar, existem diversos momentos de vulnerabilidade que comentários desses podem ser devastadores. Recebi mensagens de pessoas elogiando muito o Fabio, dizendo ele era um pai excelente que continuou a trabalhar e cuida do bebê… em conversa com ele vimos agora na prática o quão enraizado é o machismo e como pesa para as mães o sentimento de culpa.

A gente planeja muita coisa, mas muita coisa sai daquilo que a gente planejou.

 

E tá tudo bem… você, mulher, precisa se ouvir para entender o que você quer para você, é muito difícil ter cabeça em outra coisa no começo da vida do bebê, mas é preciso pensar a longo prazo.

Uma coisa que percebemos também por aqui é que por mais que eu não goste da palavra produtividade, depois que a gente tem filho a gente precisa otimizar mais os nossos horários e acabamos solucionando muito mais coisas e num espaço curto de tempo. A gente aproveita muito o tempo que tem e fica mais objetivo também para resolver as coisas.

É um mantra por aqui: Nada vai ser como era antes e não podemos nos cobrar para que seja. Não tem um roteiro, mesmo que exista a rotina do bebê, tudo muda a todo momento e é uma montanha russa de emoções. Não fica mais fácil, a gente vai se acostumando e aprendendo a rebolar juntos. Pessoalmente, eu achei o primeiro mês do Levi mais fácil, hoje ele já demanda mais fisicamente, ele tá mais pesado, fica entediado, precisa de mais entretenimento.

Uma dica importante: se você já tem um filho, tenha uma pessoa em quem você confia para falar sobre todas essas questões sem te julgar. Porque é muito difícil falar com qualquer um sobre, muitos já acham que você está reclamando de ter um filho, e não é isso, às vezes você só precisa desabafar. 

E se você é essa pessoa que está ouvindo um desabafo: escute! Não precisa nem dar conselho, é mais sobre acolher.

São dias e dias. Tem dias que você acorda muito bem e a criança não; tem dias que a criança está muito bem e os pais não… Lidar com isso é muito difícil. Tem dia que você consegue fazer tudo que você precisa, tem dia que você não consegue fazer nada de nada. Tem dias que você lida de uma forma mais saudável, tem outras que você chora. 

E tudo isso é sobre muita mudança que exige de nós, encontre um apoio emocional e, acima de tudo, acolha estes seus momentos e escolha as suas batalhas.

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Isa Ribeiro
Uma mulher ex-especialista de sistemas, hoje fotógrafa, escritora, life Coach pós graduando em Psicologia Positiva, podcaster e youtuber. Casei com o meu melhor amigo barbudo, gaúcho do interior e produtor musical chamado Fábio, que quase não dá bola pra essa coisa internética e vive de chinelo no pé.

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